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Bandeirantes

Nome dado no Brasil aos grupos sertanistas, em geral provenientes da capitania de São Paulo, que ao longo do período colonial adentraram nos sertões em busca de mão-de-obra (por apresamento de grupos indígenas), de riquezas minerais e também atuando no combate a quilombos. As atividades dos bandeirantes foram registradas entre os séculos XVI e XVIII, mas o termo só foi difundido no século XVIII, lembrando ainda que entradas e bandeiras são os termos mais usados para definir as atividades dos bandeirantes. As bandeiras, ou tropas, que seguiam para os sertões eram lideradas por capitães de bandeiras, que poderiam ser europeus ou seus descendentes diretos. Juntavam-se a estes outros colonos, também bandeirantes, e ainda segmentos de índios, sob condição de escravos ou aliados, e caboclos. O número de participantes poderia ser de algumas dezenas a centenas de indivíduos. Os bandeirantes paulistas desenvolveram atividades de notória importância para o processo de colonização e ocupação do território, sendo agentes fundamentais da expansão das fronteiras no período colonial, quando efetivamente se observa o processo de interiorização e alargamento dos limites originalmente impostos pelos acordos firmados entre os estados de Portugal e Espanha. Quando observados em mapas contemporâneos, os caminhos que foram traçados por estes paulistas evidenciam ainda a fluidez e a inconstância dos limites que foram originalmente acordados, evidenciando um processo que se deu sobre áreas ocupadas por grupos indígenas e a conversão destes grupos em mão-de-obra.

Muitas vezes se endossou a visão de que se marchava por um mundo inculto, espaçadamente habitado por grupos inertes e imóveis, mas o que se pode perceber é que a interação com os grupos indígenas foi uma realidade clara a todo o momento, no aproveitamento da mão-de-obra, e ainda nas trocas culturais que garantiram a adaptabilidade sob as novas condições naturais. Salienta-se ainda o aproveitamento de antigas picadas ou trilhas indígenas na abertura e construção de estradas coloniais, assim como a utilização da extensa rede hidrográfica existente na região de São Paulo de Piratininga. A descoberta das primeiras minas de pedras e metais preciosos ao final do século XVII marcou o início de um novo momento para a coroa lusa, com transformações econômicas e sociais para Portugal e sua colônia. Resta reconhecer que os bandeirantes e o bandeirantismo muitas vezes aparecem como verdadeiro mito na historiografia do Brasil, em especial com relação a São Paulo, o que volta-se diretamente para a grandiosidade das conquistas, dos longos trajetos alcançados e da consequente expansão territorial. O bandeirantismo é apontado por alguns autores como a atividade responsável para que o Brasil tenha as suas atuais dimenções territoriais. A historiografia já vem, no entanto, revisitando tais interpretações. A partir das ilações de Capistrano de Abreu contesta-se a visão heróica dos bandeirantes, salientando o excesso de violência, submissão de grupos indígenas, invasão de suas terras e a falta de interesse coletivo, visto que os empreendimentos eram particulares e voltados para seus próprios membros. Em estudo mais recente, John Monteiro destaca o insucesso econômico da capitania de São Vicente como motivo fundamental para as atividades sertanistas, destacando que a falta de braços para a lavoura gerou a interiorização do território por indivíduos em busca de mão-de-obra. [A: Marina M. Machado, 2014]

Bibliografia: Abreu 2000; Holanda 2005; Machado 1943; Monteiro 2000; Moog 1978; Taunaay 1926.

doi:10.15847/cehc.edittip.2014v039

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