da Terra e do Território no Império Português

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Dissava

Designação da principal das unidades da divisão territorial e administrativa dos reinos cingaleses do Ceilão. Era o equivalente a uma província. Dividia-se, por sua vez, em korales ou corlas, e estas em aldeias. No reino de Kotte existiam quatro dissavas: Matara, Sabaragamuwa, Quatro Korales e Sete Korales. Os seus governadores – igualmente denominados dissavas – exerciam funções de natureza política, militar, judicial e fiscal. Eram recrutados entre a principal nobreza local, pertencendo, não raro, à própria família real, e eram remunerados, numa base de serviço, com parte dos rendimentos da província e com a atribuição de aldeias. Durante o seu domínio no Ceilão (1597-1658), os portugueses conservaram estas estruturas de organização territorial, e, salvo algumas excepções, nomearam membros das elites nativas para o seu governo. Procuravam, assim, assegurar não só o normal funcionamento das instituições e da máquina administrativa, como fidelizar essas elites. Os dissavas desempenharam um papel importante, por exemplo, no processo de elaboração dos tombos ou na redistribuição dos títulos de posse das aldeias, assim reforçando, aliás, o seu poder político e social num contexto de dominação estrangeira. [A: José Vicente Serrão, 2015]

Bibliografia: Flores 2001; Pieris 1913-1914; Ranasinghe 2014.
doi: 10.15847/cehc.edittip.2015v056

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