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Intendentes da Marinha

Cargo introduzido inicialmente na Bahia (Brasil), pelo alvará de 3 de Março de 1770, com o propósito de substituir o provedor-mor da fazenda. A reforma promovida no aparelho financeiro daquela capitania, que incluiu a supressão do Conselho da Fazenda local, entregou ao novo intendente um conjunto de funções, entre as quais se contava visitar os navios da Armada, vistoriar as obras no Arsenal da Marinha e tirar devassas à chegada dos navios. Em 1797, as crescentes preocupações com o sector da construção naval e com a concomitante exploração madeireira no Brasil (sobretudo madeiras de lei), ditaram a expansão das intendências da Marinha a outros portos americanos, que passaram a ser exclusivamente dirigidas por militares recrutados no «Corpo da Marinha». Ditaram também o alargamento da sua esfera de competências, que passou a incluir a supervisão das matas e bosques (o que em certos casos se fazia com o acompanhamento de juízes conservadores). A iniciativa ia ao encontro da política florestal da coroa, que, por intermédio de um dos seus ministros mais ilustrados, Rodrigo de Sousa Coutinho (futuro conde de Linhares), procurava assegurar as bases para a exploração monopolista de todas as madeiras das costas e dos rios navegáveis da América portuguesa. Contudo, a resistência oferecida à ação dos intendentes da Marinha, por fazendeiros e por pessoas ligadas à exploração de madeiras, acabou por inviabilizar a estratégia da coroa. [A: Miguel Dantas da Cruz, 2014]

Bibliografia: Cabral 2008; Morton 1978; Salgado 1985.

doi:10.15847/cehc.edittip.2014v076

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