da Terra e do Território no Império Português

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Colonos (Moçambique)

No vale do Zambeze, em Moçambique, o termo “colonos” era utilizado com um significado diferente daquele que está habitualmente consagrado. Colonos ou forros era a designação dada aí aos africanos livres que habitavam os prazos da coroa. Tal categoria social adquiria nomes específicos, derivados das línguas africanas, como botonga, na área de Tete, e mussenze, na região de Sena. Esses africanos, que viviam em aldeias governadas pelos seus chefes (fumos), mantinham, em geral, as suas estruturas sociais, económicas e políticas. As relações entre os colonos, representados pelos seus chefes, e o senhor do prazo eram mediadas por escravos ou por capitães (goeses, portugueses ou mestiços), uns e outros especialmente activos na recolha de pensões. Com efeito, os africanos livres tinham de satisfazer ao titular do prazo determinados tributos e fornecer certos serviços. Além disso, embora a administração da justiça permanecesse nas mãos dos chefes e dos conselhos que o assistiam, os colonos tinham de pagar ao senhor do prazo, enquanto detentor do território, determinadas multas previstas pelas normas consuetudinárias africanas, bem como outras impostas pela administração portuguesa. [A: Eugénia Rodrigues, 2014]

Bibliografia: Capela 1995: 24-40; Isaacman 1972: 24-47; Newitt 1995: 232-233.

doi:10.15847/cehc.edittip.2014v025

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