da Terra e do Território no Império Português

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Caju

O caju é o falso fruto do cajueiro (Anacardium occidentale, Lin.), constituindo a castanha o fruto. A planta é nativa da América, sendo muito vulgar no nordeste e no norte do Brasil, onde os seus usos indígenas foram adoptados pela sociedade colonial. O caju e a castanha eram empregues na alimentação – a última, por exemplo, substituindo as amêndoas europeias – e na medicina popular, esta empregando também as exsudações do tronco. O caju era, igualmente, muito usado no fabrico de bebidas refrescantes e alcoólicas. A partir do final do século XVI, o cajueiro foi levado do Brasil para diversas partes do império português, quer na África atlântica (Cabo Verde, S. Tomé, Angola ou Guiné, nesta última, tornando-se, já no século XX, uma das principais culturas), quer no Oriente. Em Goa, a planta, adequada aos terrenos pobres dos outeiros de laterite, expandiu-se rapidamente, sendo conhecida como a “manga dos portugueses”. A castanha e o caju foram integrados na alimentação, enquanto o sumo era empregue no fabrico de vinagre e, sobretudo, aguardente. No século XIX, o cajueiro adquiriu, e mantém ainda hoje, uma grande importância na economia de Goa, nomeadamente pela exportação de castanha e de aguardente. Em Moçambique, desde o século XVIII, um dos principais mercados da aguardente goesa, a planta deve ter chegado a partir da Índia, estando o seu cultivo registado ainda nesse século. A produção de castanha e de aguardente tornaram-se, ainda aqui, uma das principais actividades económicas. A partir dos territórios de colonização ou presença portuguesa, o cajueiro expandiu-se para outras regiões tropicais. [A: Eugénia Rodrigues, 2013]

Bibliografia: Dalgado 1988: I, 176-177; Ferrão 1993: 84-90; Silva 2013: 18-20.

doi:10.15847/cehc.edittip.2013v020

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