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Tag Archives: José Vicente Serrão

Baar

O baar (plural: baares; variantes ortográficas: bar, bahar) era uma unidade de peso muito usada no Índico, com larga representação nas fontes portuguesas para descrever a quantidade, por exemplo, de canela, pimenta ou cravo. Muitos dos “cronistas” da época que se lhe referem (v.g. Barbosa, Barros, Castanheda, Orta, Couto, Andrada, Queiroz) têm a preocupação de dizer, de modo simplificado, que um baar equivalia a 4 quintais do “peso português”. Porém, o seu peso real era muito variável consoante os locais e os produtos, como fica atestado pela sua equivalência no actual sistema métrico-decimal. De acordo com a sistematização criteriosa apresentada por Lima Felner, um baar podia de facto oscilar entre 137,7 e 330,0 quilos. Por exemplo, correspondia a 166 kg em Cochim, 176 no Ceilão, 206 em Cananor, 208 em Calecute, 210 em Malaca, 211 em Negapatão, 212 em Chaul, 230 em Moçambique, ou 235 em Baçaim. [A: José Vicente Serrão, 2013, 2016]

Bibliografia: Dalgado 1988 (I, 78); Felner 1868 (vi-ix e 45-55).

doi:10.15847/cehc.edittip.2013v031

Freire, Antão Vaz (c.1560-162..)

Foi o primeiro vedor da Fazenda do Ceilão (1608-1617) nomeado directamente pelo rei. Partiu do reino munido de um regimento, datado de 27 de Fevereiro de 1608, que é uma das peças mais representativas do projecto de colonização que as autoridades de Lisboa e Madrid conceberam para a ilha de Ceilão. Entre as várias incumbências cometidas ao vedor, contava-se particularmente a de elaborar o registo e cadastro das terras e aldeias que estavam sob o domínio português, e a sua posterior repartição (em aforamento) por portugueses e cingaleses, de acordo com critérios bem definidos. Vaz Freire concretizou em poucos anos a elaboração dos tombos (quatro grossos livros, dos quais só restam dois), mas, no que toca aos aforamentos, foi ultrapassado pelos acontecimentos, pelos jogos de interesses locais e pelas desinteligências com o capitão-geral e outras autoridades na ilha. Sucedeu-lhe no cargo Lançarote de Seixas, um dos mais influentes casados do Ceilão. [A: José Vicente Serrão, 2013]

Bibliografia: Abeyasinghe 1974; Fitzler 1927; Flores 2001; Miranda 2007.

doi:10.15847/cehc.edittip.2013v004

Xendim

Também conhecido como xendi ou sendi, era um tributo de capitação imposto aos “gentios”, isto é, a população não cristã, de Goa, Salcete, Bardez e das Novas Conquistas (depois de 1763). Constituía uma das mais importantes receitas fiscais do território. Instituído em 1705 e sempre muito contestado, foi abolido em 1841. [A: José Vicente Serrão, 2013]

Bibliografia: Dalgado 1988: 302-3; Souza 1975.

doi:10.15847/cehc.edittip.2013v001