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Tag Archives: José Eudes Gomes

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Gado do vento

Gado encontrado nos campos sem marcação, desacompanhado e sem dono conhecido. Deveria ser recolhido pelo seu rendeiro ou encarregado ao lugar designado para tal em cada cidade ou vila. Caso sua propriedade não fosse reclamada dentro do prazo determinado pelo costume local, revertia para a Fazenda Real. Na América portuguesa, os direitos de administração deste gado eram arrematados a particulares, por contratos anuais, nas provedorias das capitanias. [A: José Eudes Gomes, 2015]

Bibliografia: Faria 1966; Ordenações Filipinas 1985 [1603]: liv. III, tt. 94; Viterbo 1983-1984 [1798].
doi:10.15847/cehc.edittip.2015v046

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Casa-forte

Domus fortis, fortalicium e repayrium foram designações dadas ao novo modelo de residência senhorial fortificada que se difundiu na Europa ocidental a partir da segunda metade do século XII. A sua principal característica era a presença de torre quadrangular, normalmente em pedra, com térreo maciço e reduzido número de aberturas, podendo apresentar matacões e merlões. Inspiradas nas torres de menagem dos castelos, símbolo do poder e prestígio da nobreza, foram utilizadas como forma de afirmação social por linhagens secundárias e membros da pequena nobreza. Em Portugal, a nova estrutura arquitetónica se fez presente em paços, solares e quintãs, sendo referida como torre (turrem), casa-torre ou casa-forte. Na América portuguesa, este último termo foi utilizado para denominar casas de morada fortificadas, com paredes grossas e poucas frestas, que foram comuns nos sertões, onde estiveram ligadas às guerras de conquista e ao povoamento colonial do território por particulares. [A: José Eudes Gomes, 2015]

Bibliografia: Barreto 1958; Barroca 1989, 1998.
doi:10.15847/cehc.edittip.2015v042

Passadores de gado

No reino, designava aqueles que contrabandeavam gado na fronteira. Nas capitanias americanas, a expressão passou a designar os condutores de gado para as feiras e centros consumidores, indivíduos de todas as qualidades (brancos, índios, negros e mestiços) e condições (livres, escravos e forros), cuja predominância variou de acordo com a região. A ausência de registros escritos sugere que a sua contratação se dava mediante acordo verbal. Seu pagamento era feito por cabeça entregue no destino, com base em valor pré-acordado, calculado conforme a distância a ser percorrida, subtraindo-se as reses perdidas. Costumavam receber a matalotagem da jornada, normalmente retirada do próprio rebanho. Eram auxiliados por guias e tangedores (também chamados de tangerinos ou aboiadores), cujo pagamento era feito às suas custas. A remuneração de cada indivíduo correspondia ao seu estatuto social, de modo que homens dotados de montaria própria recebiam pagamento mais elevado que peões ou indígenas. [A: José Eudes Gomes, 2015]

Bibliografia: Antonil 2001; Leão 1987; Ordenações Filipinas 1985 [1603].
doi:10.15847/cehc.edittip.2015v038

Marcas de gado

Marcas feitas no gado para identificar o seu proprietário, fazenda, ganadaria ou coudelaria. Havia dois tipos de marcação: os sinais e os ferros. Os sinais eram cortes e furos estilizados (ou uma combinação entre ambos) feitos nas orelhas dos animais à faca e com o auxílio de uma pequena tábua. Os ferros eram emblemas personalizados gravados com ferro em brasa no couro do animal, compostos por letras, números e símbolos sobrepostos, cujos traços eram classificados em linheiros, quebrados ou volteados. Na ferragem, as criações recebiam duas marcas: na coxa ou anca direita, a marca do proprietário ou fazenda (ferro da marca), e, na esquerda, a marca da ribeira, freguesia ou vila em que se situava a fazenda de criar ou curral (ferro da ribeira). A sua eficácia comunicativa prescindia da literacia, tendo sido especialmente importante em áreas de pasto comum e criação extensiva, como na América portuguesa, onde as propriedades normalmente não eram cercadas e o gado era criado solto. Em caso de venda, o novo dono fazia a contraferra, imprimindo o seu ferro acima ou à direita da marca preexistente. As sucessivas marcações seguiam a ordem: perna, pá, pescoço, queixo e testa, para que o couro pudesse ser aproveitado. Fazia-se o mesmo do lado esquerdo, caso o animal fosse levado para outra ribeira, freguesia ou vila. Tal como os brasões, o ferro dos pais (chamado de mesa ou caixão da marca) era herdado pelos filhos por varonia e primogenitura, recebendo pequenos acrescentos ou subtrações por cada descendente, denominados diferenças. [A: José Eudes Gomes, 2015]

Bibliografia: Barroso 1912; Faria 1984; Maia 2004; Pont 1983.

doi:10.15847/cehc.edittip.2015v028