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Minas Gerais (Capitania)

Situada no Sudeste do Brasil, esta capitania ganhou seu nome em função da grande quantidade de ouro ali descoberto a partir do final do século XVII por bandeirantes oriundos de São Paulo. As expedições promovidas pelos paulistas tinham inicialmente a intenção de capturar indígenas; contudo, os constantes relatos acerca da presença de ouro de aluvião acabaram chamando a atenção e desviando o foco inicial. Esse processo de penetração e conquista não ocorreu sem conflitos. Em relação aos indígenas, só recentemente essa relação conflituosa foi tratada pelos historiadores, pois os índios não apareciam na documentação oficial. Já as outras formas de conflitos, fossem entre os colonizadores ou entre estes e os representantes da coroa, foram amplamente analisadas pela historiografia mineira. Essas peculiaridades historiográficas resultaram do fato de que a história de Minas foi normalmente tratada como essencialmente urbana, tendo seu aspecto rural sido relegado para um segundo plano, ou destacado somente após a decadência da mineração. Contudo, recentemente uma nova historiografia tem levantado questões relevantes a respeito do universo rural nas Minas setecentistas. Essas pesquisas indicaram a existência de uma agricultura vigorosa, mesmo na região propriamente mineradora. Justamente em função desse vigor, houve sempre grande procura por terras em Minas Gerais e, portanto, tentativas de controle por parte da administração colonial, principalmente em relação às sesmarias, que acabavam passando de mãos em mãos, o que transformava os mecanismos de controle (registro, medição e demarcação) em motivação para os conflitos agrários, uma vez que os limites descritos nas cartas nunca eram idênticos àqueles encontrados. [A: Fernando Lamas, 2013]

Bibliografia: Andrade 2008; Carrara 1999; Furtado 2001; Resende 2007.

doi:10.15847/cehc.edittip.2013v013

Sertão

Existem vários sentidos para a palavra sertão, mas todos são unânimes em destacar a distância das áreas civilizadas e a baixa densidade demográfica. Não há uma definição geográfica para esta palavra, pois sertão pode tanto ser uma área agreste, seca e de vegetação rala quanto uma área de mata fechada e água abundante. O importante nesses casos é ressaltar a ideia de um lugar hostil, de difícil adaptação. Sertão, portanto, é um espaço fluído, e sua delimitação pressupõe seu fim. Nesse sentido, se assemelha ao conceito de fronteira, uma vez que é um conceito móvel, que sempre se afasta em direção ao interior. Além da mobilidade, outro fator que o aproxima do conceito de fronteira é o fato de ser criado de acordo com as necessidades. Durante a colonização, especialmente no Brasil, o uso do termo esteve associado a área perigosa, com claros objetivos de desestimular a penetração de colonos ou de classificar aqueles que habitavam a região como selvagens, perigosos e bandidos. Nesse sentido, a palavra foi usada para designar áreas habitadas por quilombolas, indígenas e por colonos que se mostravam de alguma maneira arredios ao controle da administração colonial. Seu uso, portanto, justificava o uso da força para conquistar uma determinada região e submetê-la ao controle da civilização. [A: Fernando Lamas, 2013]

Bibliografia: Amantino 2008; Cascudo 1969; Fonseca 2011; Machado 2012.

doi:10.15847/cehc.edittip.2013v012

Mandioca

Raiz pertencente à família Euphorbiaceae, uma das maiores famílias de dicotiledôneas com aproximadamente 290 gêneros e perto de 7.500 espécies espalhadas em regiões tropicais, especialmente nas Américas e na África. No Brasil, possui diferentes nomes, variando de acordo com a região: aipim, macaxeira e tapioca são alguns exemplos. A mandioca teve um papel essencial tanto na fixação dos povos indígenas, no período pré-cabraliano, quanto no processo de colonização, uma vez que podia ser plantada em qualquer região brasileira e é muito calórica, já que é rica em amido. Essa facilidade quanto ao plantio, assim como a sua relevância nutricional, proporcionaram a sua inserção na alimentação cotidiana da colônia, a tal ponto de ser conhecida como “pão da terra”, pois sua farinha substituiu durante muitos anos a farinha de trigo no fabrico de pão em todo o território brasileiro. Foi levada para a África no século XVII e acabou substituindo o inhame nos portos de embarque de escravos, o que facilitou a adaptação alimentar dos africanos no Brasil. De um modo geral, a mandioca esteve presente ao longo de toda a colonização em função da facilidade para transportá-la e plantá-la.  Sua cultura aparece muito associada ao feijão e ao milho, pois esses gêneros não demandavam muito tempo de trabalho e também não demoravam a dar frutos. Logo, serviam de alimentação para os escravos, sem que isso os desviasse por muito tempo de suas atividades principais. [A: Fernando Lamas, 2013]

Bibliografia: Alencastro 2000; Cascudo 1969; Joly 1985; Menezes 2007.

doi:10.15847/cehc.edittip.2013v007

Mata Mineira

Região brasileira, com cerca de 37.000 km2 na sua configuração actual, que fazia divisa, por um lado, com as regiões mais antigas de Minas Gerais e, por outro, com as capitanias do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. O nome originou-se da proibição estabelecida pela administração colonial de penetração na dita área, formando desta maneira uma “barreira natural”, formada pela mata, ao extravio do ouro. Sua história inicia-se ainda na primeira metade do século XVIII, momento em que ao sul se estabeleceu o Caminho Novo, ligando as Minas ao porto do Rio de Janeiro, e, na área central, se estabeleceu o aldeamento e a sede da Freguesia do Mártir São Manuel dos Sertões dos Rios Pomba e Peixe dos Índios Croatos e Cropós (1767). Foi provavelmente cortada por expedições saídas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo ainda no final do século XVI, mas nenhuma conseguiu desencadear um processo colonizador. Este somente foi atingido na segunda metade dos setecentos, quando o esgotamento do ouro de aluvião levou os colonizadores e a administração colonial a devassarem aquelas que até então eram denominadas como “áreas proibidas”. Nesse sentido, o aldeamento de Rio Pomba, localizado às margens do rio homônimo, teve papel essencial, tanto desocupando a área para a doação de sesmarias quanto concentrando a mão de obra indígena e ainda servindo de ponta de lança para o combate a quilombolas e criminosos. [A: Fernando Lamas, 2013]

Bibliografia: Almico, Saraiva & Lamas 2005; Carrara 1999; Mercadante 1973.

doi:10.15847/cehc.edittip.2013v006