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Arequeira

A arequeira era uma entre as várias espécies de direitos de participação (ou interesses, ou acções) constituídos sobre os rendimentos das comunidades de aldeia de Goa. Devia esse nome ao facto de, pelo menos originalmente, estar indexada aos arecaes, campos plantados de arequeiras, as árvores que produziam a areca. Aqueles direitos de participação representavam um quinhão do saldo entre as despesas e as receitas da comunidade, podendo traduzir-se em ganhos ou em perdas, conforme aquele saldo fosse positivo ou negativo. A posse de uma arequeira, na generalidade dos casos, correspondia simplesmente a um investimento rentista, sem envolver qualquer participação na exploração directa da terra. Pelo Regulamento de 1882, as arequeiras, assim como os outros tipos de “interesses”, foram redenominadas e convertidas em acções de valor fixo de 20 rupias. Sobre o significado de arequeira enquanto árvore, ver areca. [A: Joana Paulino, 2015]

Bibliografia: Azevedo 1890: 88-105; Dias 2004: 116-588; Xavier 1903: 70-71. doi:10.15847/cehc.edittip.2015v029

Almoxarifado

Circunscrição fiscal-financeira com funções de pagamento e recebimento local. Dirigida por um oficial régio (almoxarife ou recebedor), competia-lhe centralizar a cobrança de rendas reais (foros, sisas, quartos, dízimas alfandegárias, entre outras) e executar as despesas locais. No reino, os almoxarifados eram coordenados por um vedor da fazenda (dos três existentes desde 1516), e pelo Conselho da Fazenda a partir de 1591. Este modelo de organização fiscal-financeira da metrópole foi adaptado à administração ultramarina, se bem que com diferenças. Nas ilhas atlânticas e no Brasil foram criados inúmeros almoxarifados, ao passo que no Estado da Índia tiveram pouca expressão, cabendo muitas vezes as suas funções às feitorias. [A: Joana Paulino, 2014]

Bibliografia: Hespanha 1994: 214; Miranda 2009; Pelúcia 2007; Rau 1951.

doi:10.15847/cehc.edittip.2014v055

Candil

Medida de peso e de capacidade, de grandes dimensões, que os portugueses encontraram em Goa e outras partes da Índia, usada na medição, por exemplo, de arroz ou de trigo. Enquanto unidade de peso, não diferia muito do baar, sendo ambos frequentemente descritos como equivalendo a 4 quintais das medidas portuguesas. A sua equivalência no sistema decimal resulta muito variável consoante os locais e as fontes; Lima Felner atribui ao candil de Goa 220,32 kg (peso) e 245 litros (capacidade). [A: Joana Paulino, 2014, 2016]

Bibliografia: Dalgado 1988: I, 199-200; Felner 1868; Pereira 1940.

doi:10.15847/cehc.edittip.2014v042