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Pastel

Nome comum da planta Isatis tinctoria, da qual se extraía, por maceração e fermentação das suas folhas, um corante azul usado na indústria tintureira durante o período moderno. No Mediterrâneo, o desenvolvimento da sua cultura para fins industriais remonta aos finais da Idade Média, enquanto em Portugal a recolha e cultivo do pastel nas margens do Douro datam do século XV. Ao infante D. Henrique deve-se o início do seu aproveitamento industrial, ao abrigo do monopólio de recolha e transformação que recebeu da coroa em 1455. Foi, todavia, nas ilhas atlânticas que as potencialidades económicas deste produto se afirmaram, sobretudo nos Açores. Com disseminação por todo o arquipélago, mas com especial incidência na Terceira e em S. Miguel, a cultura do pastel afirmou-se como um dos principais produtos de exploração económica, mercê da procura exercida pelos mercados consumidores da Europa do Norte, como a Flandres e a Inglaterra. A sua importância económica traduziu-se na publicação em 1536 de um quadro normativo – o regimento do pastel – que regulava a produção e a exportação. Na ilha de S. Miguel, o ciclo produtivo mais intenso ocorreu em finais de Quinhentos, quando a sua produção atingiu 100.000 quintais por ano. Competindo com o trigo pelas melhores terras agrícolas, o alargamento da lavoura do pastel terá contribuído na altura para episódios de escassez cerealífera nos Açores. No século XVII, o pastel perdeu competitividade, sendo substituído na maior parte dos mercados europeus pelo índigo e pelo anil do Brasil e das Índias. [A: Maria da Graça Delfim, 2015]

Bibliografia: Azevedo 1985: V, 12; Costa 1946; Marques 1994: 862-863; Menezes 2005: 348-349.

doi:10.15847/cehc.edittip.2015v026