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Marcas de gado

Marcas feitas no gado para identificar o seu proprietário, fazenda, ganadaria ou coudelaria. Havia dois tipos de marcação: os sinais e os ferros. Os sinais eram cortes e furos estilizados (ou uma combinação entre ambos) feitos nas orelhas dos animais à faca e com o auxílio de uma pequena tábua. Os ferros eram emblemas personalizados gravados com ferro em brasa no couro do animal, compostos por letras, números e símbolos sobrepostos, cujos traços eram classificados em linheiros, quebrados ou volteados. Na ferragem, as criações recebiam duas marcas: na coxa ou anca direita, a marca do proprietário ou fazenda (ferro da marca), e, na esquerda, a marca da ribeira, freguesia ou vila em que se situava a fazenda de criar ou curral (ferro da ribeira). A sua eficácia comunicativa prescindia da literacia, tendo sido especialmente importante em áreas de pasto comum e criação extensiva, como na América portuguesa, onde as propriedades normalmente não eram cercadas e o gado era criado solto. Em caso de venda, o novo dono fazia a contraferra, imprimindo o seu ferro acima ou à direita da marca preexistente. As sucessivas marcações seguiam a ordem: perna, pá, pescoço, queixo e testa, para que o couro pudesse ser aproveitado. Fazia-se o mesmo do lado esquerdo, caso o animal fosse levado para outra ribeira, freguesia ou vila. Tal como os brasões, o ferro dos pais (chamado de mesa ou caixão da marca) era herdado pelos filhos por varonia e primogenitura, recebendo pequenos acrescentos ou subtrações por cada descendente, denominados diferenças. [A: José Eudes Gomes, 2015]

Bibliografia: Barroso 1912; Faria 1984; Maia 2004; Pont 1983.

doi:10.15847/cehc.edittip.2015v028