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Fajã

Nome dado, em toda a Macaronésia lusófona (ilhas da Madeira, S. Miguel, Terceira, Graciosa, Pico, Faial, S. Jorge e Flores do arquipélago dos Açores e ilhas de São Nicolau, Brava e Fogo do arquipélago cabo-verdiano), aos terrenos planos ou de declive pouco acentuado situados no sopé de arribas costeiras de grande desnível, ou, mais para o interior, quando resultam do desabamento das vertentes montanhosas. A formação das fajãs pode derivar de derrames lávicos, como acontece frequentemente nas ilhas açorianas, ou por acumulação detrítica, sendo neste caso resultante quer do processo erosivo provocado pela acção das águas e dos ventos, quer por ação tectónica. Embora esteja, em regra, relacionado com plataformas costeiras, o topónimo pode surgir aplicado a zonas aplanadas na base de encostas íngremes e, nesse caso, praticamente se confunde com as achadas. É o que acontece com as freguesias de Fajã de Baixo e de Fajã de Cima, na ilha de São Miguel, da Fajã das Ovelhas, nas faldas da Serra de Santa Bárbara, na ilha Terceira, ou das fajãs madeirenses da freguesia do Jardim do Mar, freguesia da Fajã da Ovelha, Fajã da Nogueira ou Fajanzinha de Bento. A grande fertilidade associada às fajãs de talude motivou desde longa data a presença humana nestes espaços, geralmente sazonal, e determinou o cultivo de uma apreciável variedade de vinha e frutas, destacando-se o caso das fajãs da ilha de S. Jorge (existem nesta ilha cerca de setenta fajãs) onde, entre outros cultivos raros nos Açores, pode mencionar-se o café e a oliveira. [A: Isabel Soares de Albergaria, 2014]

Bibliografia: Abreu 2005; Nunes 2007; Silva 1965.

doi:10.15847/cehc.edittip.2014v068