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Ceará (Capitania)

Situada no nordeste brasileiro, a capitania hereditária do Ceará (Seara Grande) foi criada em 1535, tendo como donatário António Cardoso de Barros. O primeiro capitão-mor foi Pero Coelho de Sousa em 1603. Entre 1621 e 1680 esteve na área de abrangência do Estado do Maranhão, em seguida foi anexada à capitania de Pernambuco e em 1799 tornou-se independente. A ocupação do território cearense, que se fez fundamentalmente do interior para o litoral, se deu sob a égide da pecuária. Essa atividade atraiu o interesse da coroa portuguesa sobre a capitania. Com a expansão pecuarista, o solo do Ceará foi esquadrinhado através de doações de sesmarias, tornou-se palco de sangrentas batalhas entre os fazendeiros e os moradores nativos, assistiu à proliferação das fazendas de gados, como também ao aumento significativo da população não-indígena.  A partir do século XVIII foram criadas diferentes vilas: Icó em 1738, Aracati em 1748, Messejana, Soure e Parangaba em 1758, Viçosa em 1759, Baturité e Crato em 1764, Sobral em 1773 e Quixeramobim em 1789. A formação de vilas fazia parte dos interesses metropolitanos em efetivar um real controle sobre as gentes dispersas do Sertão. Com a proliferação das oficinas de produção de charque, a vila de Aracati, rivalizada apenas pela vila de Sobral, tornou-se o principal ponto de exportação de carne e couro, e de entrada de produtos manufaturados para o sertão. As periódicas secas foram uma das componentes da dinâmica de ocupação do espaço cearense, que obrigavam a um contínuo movimento migratório da população. Nos anos de 1791-1793 ocorreu a conhecida “Seca Grande”, responsável pela diminuição significativa do rebanho local. No final do século XVIII, o algodão ganhou importância enquanto produto de exportação. Concomitantemente, a vila de Fortaleza tornou-se capital da capitania (1799) e principal porto comercial. [A: Antonio Otaviano Vieira Junior, 2014]

Bibliografia: Vieira Junior 2004; Pinheiro 2008.

doi:10.15847/cehc.edittip.2014v046

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