da Terra e do Território no Império Português

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Casados

O termo “casados” remonta ao rescaldo da conquista de Goa (1510), quando Afonso de Albuquerque promoveu a fixação de portugueses nos domínios do antigo sultão mediante a concessão de terras e bens e o casamento com mulheres da terra. Era intenção do governador criar uma espécie de reserva militar que, simultaneamente, garantisse a estabilidade social do território. Embora esta “política de casamentos” não tenha sido, enquanto tal, levada a cabo em mais nenhuma parcela do embrionário Estado da Índia, em todas elas surgiram, ao longo do século XVI e de forma mais ou menos espontânea, núcleos de portugueses que aí casavam e se estabeleciam duradouramente. A categoria de “casados” designava, portanto, as elites locais formadas por portugueses e descendentes de portugueses radicados no Estado da Índia, geralmente agregadas em torno das câmaras municipais e das misericórdias. Frequentemente, disputavam negócios e primazia social e política com a nobreza vinda do reino para ocupar temporariamente postos da administração civil e militar. O papel que desempenhavam na defesa militar, e as ligações que possuíam às redes mercantis e potências asiáticas, concediam grande prestígio e influência a estes “casados”, com quem as autoridades do Estado tinham frequentemente que contemporizar. Trata-se, contudo, de um conceito fluido e impreciso, que abrangia situações muito distintas no espaço e no tempo. A partir da segunda metade do século XVI verificou-se um incremento da matriz territorial do Estado da Índia, pelo que a ligação dos casados à terra e à exploração dos rendimentos fundiários acentuou-se naturalmente. Tal ocorreu em diversas paragens, mas conheceu maior expressão em Ceilão, em Goa e na chamada Província do Norte. [A: Paulo Pinto, 2015]

Bibliografia: Bouchon 1999; Subrahmanyam 1995; Teixeira 2010; Thomaz 1994.
doi: 10.15847/cehc.edittip.2015v055