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Carne seca

A colonização dos sertões das capitanias do norte do Estado do Brasil fez-se pelo vetor econômico da pecuária. Inicialmente, criava-se o gado nos sertões, que era vendido vivo nas feiras próximas às principais praças de comércio (Recife e Salvador). Porém, em decorrência das condições irregulares do clima, o gado muitas vezes chegava desvalorizado aos compradores. Os proprietários de currais nos sertões passaram então a tanger seu gado até pequenas povoações próximas à foz dos rios na costa leste-oeste e a fabricar carnes secas e salgadas. A partir do aprimoramento da técnica, utilizaram espaços construídos especificamente para este fim: eram as “oficinas” ou “fábricas” de carnes secas, que possuíam tamanho variável, geralmente cerca de quarenta e cinco braças (aproximadamente 100 metros) de frente. Em meados do século XVIII já havia um “negócio das carnes secas” naqueles sertões. Formaram-se verdadeiras empresas em torno do produto, que incluíam: a criação de gado em currais nas ribeiras do sertão; o transporte do gado vivo até as oficinas; a fabricação das mantas e postas de carne seca e salgada; o abastecimento de sal para o fabrico; o aluguel (ou mesmo propriedade) de embarcações para o transporte das carnes secas até as importantes praças de comércio. Alguns negociantes possuíam controle sobre todo o processo descrito. Outros, sobre parte dele. Durante todo o século XVIII, período de diversas crises de abastecimento, as carnes secas fabricadas nos sertões das capitanias do norte foram negociadas no Recife e em Salvador, chegando à região das minas pelo caminho velho do São Francisco. [A: Leonardo Cândido Rolim, 2015]

Bibliografia: Andrade 1980; Carrara 2007; Linhares 1979; Rolim 2012.
doi: 10.15847/cehc.edittip.2015v059

 

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