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Canto, José do (1820-1898)

Natural da ilha de S. Miguel, José do Canto foi um dos principais promotores do desenvolvimento rural e da modernização económica dos Açores no século XIX. Administrando o morgadio de sua mulher, associado com outros terratenentes na Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, de que foi cofundador em 1843, ou em iniciativa individual, José do Canto experimentou diversas alternativas à cultura da laranja, então ameaçada por pragas, e de onde provinha a fortuna da geração anterior. Do chá ao ananás, as culturas ensaiadas nas suas terras e granjas-modelo ainda hoje persistem na paisagem da ilha. Aclimatando plantas exóticas como a criptoméria, investiu na florestação em massa. Empenhou-se na construção do porto oceânico e na modernização das estradas, imprescindíveis para comercializar a produção agrícola. Conhecedor da estrutura jurídica que imobilizava a exploração racional do território, José do Canto propôs em 1851, sob anonimato e em sucessivos números do Agricultor Micaelense, um novo regime para o arrendamento do solo que, consociado com um banco de fomento rural, estimularia a reconversão agrícola à escala da ilha. Inspirado na prática inglesa, defendia a infraestruturação prévia das terras pelo senhorio e o alargamento dos prazos de modo a que o rendeiro não receasse investir nas mesmas. A defesa dos direitos do rendeiro só seria legislada depois da revolução de 1974. Simultaneamente à transformação económica e funcional, José do Canto ensaiou a estetização do território. Encomendando projectos a arquitectos e paisagistas de Londres e Paris, compôs na margem sul da lagoa das Furnas uma erudita paisagem-memorial que é hoje signo identitário de S. Miguel. [A: Pedro Maurício Borges, 2014]

Bibliografia: Albergaria 2000; Borges 2009; Riley 2001; Sousa 1982.

doi:10.15847/cehc.edittip.2014v077

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